Quinta-feira. A noite nem prometia tanto: ficaria no trabalho por mais duas horas para fazer hora extra. Já havia me resignado quanto a isso, quando a coisa configurou-se de modo diferente: não seria mais necessário ficar! Feliz e contente, desço a rua Tuiuti pensando em quantos níveis conseguiria subir no Mafia Wars naquela mesma noite, ao chegar em casa. Estava tão feliz que até mesmo o "Embarque Feliz", quer dizer, "Embarque Melhor" da CPTM pareceu-me ameno. Acabavam de chegar às 19 horas e eu já estava "aportando" em Guaianases. Desço do trem e observo o trem que vai para Mogi parado e cheio de gente a quase sair passageiros pela janela. "Esperemos o próximo! Afinal, pra que pressa?" (Não sei por que, mas sempre na sua segunda pessoa do plural.) Fico parado na plataforma à espera do próximo trem. Após alguns minutos, ali vinha ele, o caco velho. Nenhum outro trem vindo da Luz havia chegado ainda, de modo que pude embarcar sem problemas. Nem quis sentar e fiquei de pé mesmo ouvir minha musiquinha. Logo, logo, chegou mais um trem, e um bando de gente entrou correndo; alguns minutos depois, mais um trem; porém dessa vez, não havia mais lugar para uma pessoa minimamente sã entrar. Nem preciso dizer que uns brutamontes entraram à força, num fenomenal esforço para chegar alguns minutinhos mais cedo em casa... O trem sai. Sucesso! Iria chegar em casa bem cedo e poderia navegar no Facebook à vontade! O trem prosseguia seu caminho, mas antes mesmo de chegar à primeira estação o trem para. Alguns minutos de silêncio. Uma chuva fina começava a cair lá fora. Mesmo com os fones eu conseguia perceber a impaciência de alguns. Beija-santos. Suspiros. Rostos cansados. Súbito ouviu-se aquela rumor que faz o trem antes de sair; o trem, move-se... mas na direção contrária! Grito geral de insatisfação. "Maquinista filho-da-puta" e outras coisas semelhantes eu consegui ouvir mesmo com a música. TUM-TUM (tiro os fones para ouvir)... DEVIDO A AVARIA, ESTE TREM RETORNARA A ESTAÇAO GUAIANASES. Outro protesto coletivo. As reações foram diversas, teve quem ficasse batendo repetidas vezes na porta, outros resmungavam e teve até quem não demonstrasse reação alguma (uma japonesinha sentada a minha frente que olhava de um lado para outra, mas com um olhar nulo). Ouvi de uma mulher a seguinte frase, para mim incompreensível: "Por que não deixaram a gente sair ali mesmo", ou seja, no meio do nada onde o trem tinha parado. Quando o nosso trem cruzou com outro que ia sem problemas para Mogi, fiquei pensando nos homens que tinham quase se matado para entrar naquele trem.
Bem, voltamos a Guaianases e para nossa surpresa a estação até que não estava cheia. Descemos com a chuva já apertada. Ninguém sabia para onde ir. Informações desencontradas, alguns diziam que ia aparecer outro trem na plataforma central, outros foram a plataforma 4, pois juravam que seria ali o próximo trem, por fim, sobraram aqueles que continuaram no trem que voltou achando que seria aquele mesmo. No fim das contas estava todo mundo errado: TUM-TUM, PROXIMO TREM COM DESTINO ESTAÇAO ESTUDANTES PLATAFORMA 1. Mais um urro geral. Houve uma correria e alguns estúpidos acharam que seria aquele trem do meio do mesmo. Quem se tocou e foi esperto chegou lá sem problemas. Eu atravessei também, mas vi que não seria possível ir naquele trem. Depois de um tempo, chegou mais um trem vindo da estação da Luz. TUM-TUM, PROXIMO TREM COM DESTINO ESTAÇAO ESTUDANTES PLATAFORMA 1. PROXIMO TREM COM DESTINO ESTAÇAO ESTUDANTES PLATAFORMA 1. PROXIMO TREM COM DESTINO ESTAÇAO ESTUDANTES PLATAFORMA 1. Fiquei parado ali olhando ao redor. Havia dois amigos parados do meu lado. Acho que eles estavam na mesma situação que eu, sem saber o que fazer. Quando o próximo caco velho de Estudantes chegou, ouvi o seguinte aviso: TUM-TUM, PROXIMO TREM ESTACAO ESTUDANTES PLATAFORMAS 2 E 3. Para encurtar a história: para meu espanto, acabei voltando no mesmo trem que havia nos trazido de volta no meio do caminho, que partiu logo após o trem da plataforma 1. A viagem foi calma, mas cheguei em casa com fome e com as pernas cansadas.
O que fica de lição para nós é que pobre só se ferra mesmo!
Bom, não joguei Mafia Wars no fim das contas, mas o lado bom é que perto de Suzano reparei numa linda moça sentada num dos bancos com o olhar meio perdido. Nossos olhares se encontraram e ela sorriu pra mim!
Quem dera a vida fosse aquele sorriso: doce e amena...
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sábado, 23 de janeiro de 2010
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Nossa amiga de todos os dias
Eu trabalho no bairro do Tatuapé em São Paulo, mas moro na cidade de Mogi das Cruzes, localizada a mais ou menos 40 km de nossa amada (ou nem tanto) metrópole. Sendo assim, enfrento todos os dias uma guerra aberta nos trens da CPTM (Companhia Proporcionadora de Terríveis Momentos ou, conforme uma ex-colega de trabalho, CTPM). Seria apenas 1 hora e 15 minutos de viagem na ida até o trabalho e mais ou menos a mesma quantidade na volta, resultando no total de 2h e 30min. Tudo poderia ser perfeito se não fosse o fato de essas 2h e 30min – uns 10% do meu dia – serem uma simples e pura sessão (diacho de palavra que eu nunca lembro o modo certo de se escrever) de tortura! Parafraseando Euclides da Cunha, "o passageiro da CPTM é antes de tudo um forte", e realmente não é fácil ir caminhando pelo meio de uma multidão que não fica devendo nada aos nossos amigos chineses em suas cidades superlotadas e acotovelar-se com senhoras gordinhas e bruta-montes com camisetas piratas da Oakley para a simples ação de entrar no trem! Na estação Guianases, onde se faz baldeação para continuar a viagem, você se sente como uma formiga prestes a ser esmagada, ou até pior, como um boi, sem vontade e sem dignidade própria. Quando o trem entra na plataforma, para e as suas portas se abrem, ocorre um verdadeiro "estouro da boiada": as pessoas correm como desesperadas para pegar um lugar sentado. O mais estranho é que algumas delas até se divertem com a situação! Ficam sentadas rindo como doidas! Pode uma coisa dessas?
O pior para mim é que pelo fato de descer na estação Tatuapé, onde um número reduzido de pessoas desce, eu sou obrigado a ficar a viagem inteira na região da porta, porque se não... eu não saio! Certo dia eu empurrei umas duas pessoas que estavam na minha frente (porque elas não fizeram nenhum esforço para me ajudar a sair). Eu até consegui sair, mas logo percebi que a minha pobre mochila estava presa entre as pernas de duas pessoas e, para piorar a situação, havia uma moça que queria entrar e começou a se acotovelar com os dois homens. Eu puxei a minha mochila, mas os caras nem se moveram. Quando vi a mulher tentando subir, gritei: "Pelo amor de Deus, A MINHA MOCHILA, VOCÊS SÃO CEGOS OU O QUÊ???". Só assim para o trio de antas de darem conta do que estavam fazendo e soltarem a mochila.
Bem, vou parando por aqui, já que ainda teremos muito tempo para falar da CPTM e de nosso amado povo que a frequenta.
O pior para mim é que pelo fato de descer na estação Tatuapé, onde um número reduzido de pessoas desce, eu sou obrigado a ficar a viagem inteira na região da porta, porque se não... eu não saio! Certo dia eu empurrei umas duas pessoas que estavam na minha frente (porque elas não fizeram nenhum esforço para me ajudar a sair). Eu até consegui sair, mas logo percebi que a minha pobre mochila estava presa entre as pernas de duas pessoas e, para piorar a situação, havia uma moça que queria entrar e começou a se acotovelar com os dois homens. Eu puxei a minha mochila, mas os caras nem se moveram. Quando vi a mulher tentando subir, gritei: "Pelo amor de Deus, A MINHA MOCHILA, VOCÊS SÃO CEGOS OU O QUÊ???". Só assim para o trio de antas de darem conta do que estavam fazendo e soltarem a mochila.
Bem, vou parando por aqui, já que ainda teremos muito tempo para falar da CPTM e de nosso amado povo que a frequenta.
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